Numa sociedade alicerçada nas aparências e orientada pela dissimulação, as suas pessoas caminham certa e egoisticamente para a penúria, a ruína e o empobrecimento geral.
Já os que continuam a acreditar no trabalho e no esforço dedicados, como meios de chegar ao sucesso, portanto à abundância e à fartura gerais, outra solução não têm do que acreditar solidariamente nos seus semelhantes.
Dizem os costumes populares que hoje é o dia das mentiras.
E os restantes 364 dias? Nos outros dias não se mente, são só de verdades? Ou mente-se menos, é?
Ser gaja é uma síndrome e um estado de coisa nenhuma.
A gaja é a gaja
É a morena loura e a chique
É vazio e aparência: é tudo e nenhuma coisa.
Ser gaja é uma lufa-lufa de adereços e trapos.
As gajas paleiam, dizem-se e pelos cotovelos
Reunidas soam-se escutadas
Esganiçam suas vozes e seus relinchados acordes.
Cacarejam em seus dentes e postiços,
Esvoaçam suas penas e seus degredos.
Têm Messenger e muitos nadas onde caírem mortas
Têm telemóveis e cêntimos de tempo.
Têm e não seus amos e seus servos
Também eles são gajos
Têm ou não seus gajos e seus chulos.
São-no gajas e vivem-se em ansiedades
Têm xanaxes, rímeis, cigarros e já estão mortas.
São fúteis dias em vidas exangues.
Têm a vida dos outros ausentes da sua
Nem putas, nem mães, nem coisa alguma
Vivem os dias finais em suas sem vidas.