Ideias e poesias, por mim próprio.
Sábado, 2 de Julho de 2011
A alma da música.
Assopro de cordas e músculos
Voz do peito e do pulmão
Voz que brota da batida do coração
Ar de palavras e tons que expira e inspira
Ar que a vida soa e respira.
Fel, amor, sofrimento, revolta e grito
Gutural, sensual, assoprada, compassada, ritmada, com e sem
Acelerada, lenta, melódica, instrumentada, com e sem
Humana de nascimento, inventada e reinventada
Máquinas e instrumentos a embalam em contínua senda.
Companhia de amores e paixões, de povos e nações
Hinos, baladas, batidas, fados, enfados, e sem número
Sina sem limites nem fronteiras, por vozes sem número
Sentimentos, pensamentos e expressões falando em canto
Sinais de Deus fazendo-se ver em-canto.
Terça-feira, 20 de Julho de 2010
É um rio.
Preciso tanto de ti como um leito precisa da água que passa por ele, para juntos se formarem num rio.
Sábado, 20 de Setembro de 2008
Fui àquela fonte com a minha sede.
Fui àquele fonte com a minha sede
Ali vi castanhos ulmeiros rodeando-se de verdes olhos.
Fui àquela fonte avisado pelo seu encantado chamamento,
Dali ouvi uma corrente trepidante, contudo serena.
Era o Verão de Inverno de nono dia.
Naquela fonte deleitei-me no sorriso da sua água,
Corria límpida e enxuta do seu alto.
Naquela fonte refresquei meus secos lábios,
Soube-me fresca como se fora alimento da minha sede.
Era o meu Verão de Inverno de dia nove.
Nela mergulhei meus dedos secos,
Tacteando suas frescas mãos me espelhei.
Ali colhi meus anos da memória da minha sede,
Dali parti avivando a incerteza dos meus dias vindouros.
Era o meu dia nove de Verão e de Inverno.
Fui àquela fonte e parti com a minha sede
Fui na sede e aí me alimentei na sua sensualidade
Dali colhi avivados os meus sentidos.
Em suas sombras e silêncios todo eu me encontrei.
Era o meu dia nove.
Fui e voltei daquela fonte e nela me fiquei
Fui e a ela voltarei pela melodia do seu caminho
Nos seus verdes e castanhos recantos deixei os meus ditos
E aqui agora a sua viva alegria me corre pelo peito.
Domingo, 7 de Setembro de 2008
Inspiração de Outono.
Vieste com as primeiras gotas de Outono,
Vieste esperança dum tempo vindouro.
Chegaste chamada de desejo,
Trazias ainda teu perfume de cerejas.
Sou-o no sentimento da distância,
Sinto uma presença de ausência.
Vejo-te na luz que rasga no céu
Tão longe e tão presente.
Abraço sentido que me acolhe,
Regaço que me aconchega.
Perfume teu que me envolve,
Saudades que se me despertam.
Vejo agora dias e noites na tua procura.