Ideias e poesias, por mim próprio.
Sábado, 27 de Outubro de 2018
Injustiça

 

Diz um aforismo judiciário “o que está numa sentença está no mundo e o que nela não está certamente não existe”.

Ora, a grande ilusão das pessoas no presente é quererem que os Tribunais façam a Justa Justiça; nada mais enganador e frustrante. 

A Justiça dos Tribunais Portugueses é um longo cerimonial de procedimentos, regras e técnicas, o menos violentas e possíveis, usados como artimanhas e truques das partes litigantes e em ordem à satisfação dos interesses egoístas e contraditórios, alimentando um caro e luxuoso corpo de poderosos burocratas estatais, destinando-se, principal e fundamentalmente, a consagrar um ritual mais ou menos pouco público e de modo a chegar a um mediano resultado, socialmente aceitável. 

O que é justo é individual, jamais pode provir do que é coletivo ou público.

A justa justiça deve e tem de se realizar e alcançar pela ação quotidiana de cidadãos responsáveis, exemplares, dignos, humanos e solidários.

O grande Mestre Jesus Cristo, por seu lado, propugnou “a dádiva do amor ao próximo”, já que a justiça que o Estado sempre aplicou não passa duma abstração em ação.

A Justiça administrada pelo Estado Português, apesar de estar hoje transformada numa máquina de cobrança de taxas e custas a bem do Orçamento, talvez tenha como a sua melhor qualidade, contudo debilitada, a garantia de que a sociedade não descamba na violência, na selvajaria e na lei do mais forte.

Mas, resume-se hoje num lugar-comum onde muitos portugueses fazem desaguar as suas frustrações, desculpas, falhanços, invejas, ódios e ignorâncias sociais.

Fala-se agora da nova… reforma da Justiça, jamais qualquer competente mudança se fará sem que primeiro se faça a transformação do Estado Português laxista.

E para isso são necessárias a ação e a vontade coletiva, nas decididas coragem e inteligência dos governantes nacionais, qualidades inexistentes na mediocridade geral da oligarquia partidocrática.

E o primeiro problema português reside na falsa democracia, pois que o povo e os cidadãos são apenas instrumentos de servidão aos Partidos Políticos e aos seus acólitos.

Por exemplo, a Procuradora-Geral da República devia ser eleita por maioria qualificada pelo Parlamento, tal qual como os juízes, assim se dando voz soberana ao Povo e libertando-se o Ministério Publico e os Tribunais da oligarquia partidocrática.

E até que não haja uma real e participativa democracia cívica os portugueses jamais se libertarão das amarras burocráticas da Injustiça.

(twitter: @passossergio)

 
(artigo do autor publicado na edição de 1 de Outubro de 2018 do jornal mensário regional "Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)
 

horizonteoutubro.jpg

 



publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 19:28
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