De que vale ver se não se tem um olhar quem
As recordações havidas são futuro e ainda
O choro é um lugar incerto e sem
A vida é um permanente ir e devir
Já fui e sou, mas não esqueço e tudo flúi
Tive princípio e não escolhi
Terei fim e não me deram sequer o direito.
Oiço o coração permanecendo-me
Serei eu ele?
Serei eu o seu batimento?
Vim aqui parar e digo adeus,
Esqueci-me do bilhete e não há mais embarcação
O meu cais é um lugar de batidas no mar
A vida é uma ténue palavra em fim de serão.