No ano de 2009 o salário anual de Zeinal Bava foi de 1.1 milhões de euros e teve como prémio de gestão 700 mil euros, recebendo ao todo 1,8 milhões de euros.
Para alcançar o salário de Zeinal Bava, por exemplo, tomando em conta o salário médio da PT, seria preciso que um funcionário da PT trabalhasse 98,8 anos.
António Mexia na EDP recebeu 3,1 milhões de euros entre ordenados e prémios, o CEO mais bem remunerado das empresas portuguesas.
O valor é a soma dos 700 mil euros de salários fixos e 600 mil em remuneração variável (em função dos objectivos atingidos), acrescentados de um prémio plurianual de mandato (entre 2006 e 2009) de 1,8 milhões de euros.
É só somar.
Para um trabalhador da EDP alcançar aquela remuneração toda é só fazer a conta: 250 anos de trabalho bastariam?
Não esquecemos que os portugueses pagam a energia eléctrica mais cara da Europa, cerca de 31,6% mais cara.
É fácil perceber os lucros da EDP em 2009 que ascenderam a 1.024 milhões de Euros, e assim já podemos explicar melhor para que serve a conta escandalosa de electricidade que pagamos todos os meses
A propósito da conta de electricidade mais cara que todos pagamos, dito para financiarmos a implantação de energias renováveis, referimos aqui a CEO da EDP Renováveis, Ana Fernandes: 384 mil euros anuais mais 720 mil de prémios.
Já o presidente executivo da Galp recebeu de vencimento 504 mil euros e 1 milhão de prémios.
Não esquecemos, só por exemplo, que os combustíveis em Portugal são 30% mais caros do que na vizinha Espanha.
Não nos esquecemos que são todas empresas onde o Estado Português detém “golden shares” e tem direito a nomear um director executivo.
Já nos EUA, o país paraíso do capitalismo, temos como exemplos, eu digo bons, só para citar alguns salários de CEO´S de algumas grandes empresas, acrescente-se todas vultuosas multi-nacionais: Lloyd Blankfein, do Goldman Sachs de salário 600 mil dólares e de bónus de 262,6 mil dólares; Vikram S. Pandit, do Citigroup de salários 125 mil dólares e de Bónus 3,75 mil dólares, James Dimon, do JPMorgan Chase de Salário1 milhão de dólares e de bónus 265,7 mil dólares; Richard H. Anderson, Delta Airline de Salário: 600 mil dólares e de bónus 1,2 milhões dólares; Kenneth D. Lewis, Bank of América de salário zero dólares e de bónus 32,2 mil dólares.
Na verdade muitos portugueses têm um futuro de fome pela frente a continuar-se a suportar estes “ricos boys and girls” dos gestores portugueses!
*1 €/1,29 Dólar
Continua o triste espectáculo, entre muitos outros deste pobre país, dos incêndios em Portugal: este ano já arderam aproximadamente 300 mil hectares da mata nacional. Há já 20 anos que se discute a aquisição de meios aéreos próprios e com carácter permanente ao serviço do Estado, por exemplo de uma frota de aviões 6 a 8 canadairs e de, pelo menos, 20 helicópteros. Entretanto, o custo previsto de aluguer, uma vez mais, dos meios aéreos de combate aos fogos, vai custar ao erário público para 2010 próximo de 103 milhões de Euros. É já 5 vezes mais do que custou em 2005. Cada avião canadair custa cerca de 25 milhões de euros e cada helicóptero pesado 6.5 milhões. Nos últimos 10 anos o estado terá gasto com o aluguer das aeronaves mais de 300 milhões de Euros, e continua sem possuir os meios mínimos tantas vezes reclamados, sem sucesso, por bombeiros e especialistas. Ao fim deste tempo todo a mata nacional continua a arder, com todos os avultadíssimos prejuízos económicos, ambientais, sociais, populacionais, demográficos e muitos outros. Entre as empresas que alugam os meios aéreos ao Estado, acusam os bombeiros, contam-se personalidades e pessoas conhecidas de ex-ministros, dizem, como o conhecido Silva Peneda, ex-ministro de Cavaco Silva. Enquanto isso, da área de floresta de Portugal que corresponde a 3.2 milhões de hectares, nos últimos 10 anos, já terá ardido, pelo menos, metade, ou seja 1.6 milhões. E calcula-se que nos últimos 25 anos cerca de 2.5 milhões da floresta portuguesa já ardeu. Os incêndios garantem um circo mediático, mostrando no Verão a “meio mundo” pela TV em “prime time” a miséria alheia, desertifica os meios rurais e matando o interior, criando novos pobres e subsidiados, e mostrando no “defeso” o Governo a distribuir esmolas pelo povinho queimado e os ministros apertando a mão a populações e bombeiros. Uma vez mais está bem à vista a visão dos sucessivos governos: deixar arder Portugal.

Excelentíssimo Senhor
Presidente da República:
Venho mostrar-lhe a minha profunda indignação, choque e tristeza com o estado a que chegou a Justiça em Portugal, com o processo Freeport.
Não preciso sequer dizer-lhe do que o Senhor sabe, e do que deve até estar mais informado e conhecedor do que eu.
Viu as notícias de hoje do jornal Expresso?
"Cândida Almeida negociou não ouvir Sócrates. Foi a diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Cândida Almeida, que decidiu incluir as 27 perguntas no despacho final do Freeport como moeda de troca para não inquirir José Sócrates. - no jornal Expresso de hoje. Bem... isto a ser verdade, é um dia de luto para mim. De profunda tristeza. A Justiça morreu.
É este o Estado de Direito consagrado na Constituição da República? Estou chocado, e muito triste. Tristíssimo. Não tenho mais palavras. Como Advogado hoje é para mim o dia da vergonha. Dia da vergonha. Dentro de mim o sentido de Justiça está a chorar. E a si?
E o que vai fazer perante esta indignidade que abala Portugal? Não chama ninguém à responsabilidade e os manda demitir? Não pede responsabilidades ao Governo e ao Procurador-Geral da República?
Vergonha é o que se pede para este País.
A democracia está moribunda, e o que é que o Senhor Presidente faz?
Está à espera que Portugal agonie até à morte? Até que o Povo se levante e vire uma anarquia? Está à espera que portugueses façam justiça pelas suas próprias mãos? Que faz? Que faz?
Basta, tenho vergonha da situação a que Portugal chegou e ninguém faz nada!
Tenho vergonha do Estado e do silêncio das Instituições e do marasmo dos Órgãos do Estado!
Eu sei o que faria rapidamente e de imediato poria fim a esta situação. Dissolva o parlamento e convoque eleições. Diga em público que não confia no PGR. E convoque o Conselho de Estado e chame a si os destinos da governação de Portugal e do Estado. Assuma as responsabilidades Constitucionais que lhe estão confiadas pela CR. Aja. Aja de imediato.
Cumprimentos respeitosos.
Sérgio Passos.
Precisamos com urgência de uma nova Assembleia Constituinte, fundada no genuíno e profundo povo, onde assenta a legitimidade de todo e qualquer poder. Mas caso os políticos e os demais que possuíram e desgovernaram a coisa pública nos últimos 36 anos não saiam a bem do poder, vão sair a mal, pela força e com violência, se necessário for. A próxima revolução não vai ser com flores. Não vai não. Vai ser uma revolução à séria, em que muitos vão ter que pagar com o justo preço e na cor adequada as iniquidades por eles cometidas. E toda a riqueza acumulada nestes anos todos por esses corruptos terá que ser devolvida ao Povo e ao Estado português.