Ideias e poesias, por mim próprio.
Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
A gaja.
Ser gaja é uma síndrome e um estado de coisa nenhuma.
A gaja é a gaja
É a morena loura e a chique
É vazio e aparência: é tudo e nenhuma coisa.
Ser gaja é uma lufa-lufa de adereços e trapos.
As gajas paleiam, dizem-se e pelos cotovelos
Reunidas soam-se escutadas
Esganiçam suas vozes e seus relinchados acordes.
Cacarejam em seus dentes e postiços,
Esvoaçam suas penas e seus degredos.
Têm Messenger e muitos nadas onde caírem mortas
Têm telemóveis e cêntimos de tempo.
Têm e não seus amos e seus servos
Também eles são gajos
Têm ou não seus gajos e seus chulos.
São-no gajas e vivem-se em ansiedades
Têm xanaxes, rímeis, cigarros e já estão mortas.
São fúteis dias em vidas exangues.
Têm a vida dos outros ausentes da sua
Nem putas, nem mães, nem coisa alguma
Vivem os dias finais em suas sem vidas.
Domingo, 9 de Novembro de 2008
Saudade.
Soube em tempos o perfume das naturezas
Tempos houveram em que as flores me perfumavam.
Cheiros e perfumes em tempos me encantavam;
Foi o presente procurado em idos tempos.
Sei o que sei de memórias e certezas
Procuro e encontro uma presença perfumada,
Não procurei e me foi encontrada.
Resido agora em vindos contratempos.
Quero decerto, e almejo bruscas levezas.
Verdura amadurecida que nest`alma perscruta.
Ser este que me exala uma agridoce alegria e me assusta.
Tempos houveram num passado e são certos agora em novos tempos.
Aceito e oponho essências erguidas das cinzas
São seguros os alvores destas alvas manhãs
Eis apelando que a chamo para todos os amanhãs
Sinto-o e basta, pois são certos estes novos tempos.