Ideias e poesias, por mim próprio.
Terça-feira, 31 de Janeiro de 2023
PDM

O concelho de Ansião assiste há mais de dois anos a uma consulta pública do seu Plano Diretor Municipal (PDM), agitado em promessas de correções ou retificações, e ainda sem resultados à vista.

Ao fim de tanto tempo confunde-se com propaganda e oportunismo eleitoral.

Seria o tempo e a oportunidade da governação socialista desta Câmara Municipal inverter a reforma de 2015, que mais serviu para beneficiar o latifúndio, a especulação e o encarecimento imobiliários e a desertificação populacional.

O atual PDM e a regra de 1 ou mais hectares, para a construção em terrenos agrícolas e florestais, não pode continuar a servir para estimular burlas de ruínas de fantasiosas habitações, semeadas no silêncio e no breu da noite, em ordem a simular oportunistas reconstruções.

Estas escandalosas plantações de pedras e entulhos são feitas com destruição dos recursos e meios naturais, sob névoas de corrupção e em detrimento dos proprietários vizinhos que, no respeito da lei, aguardam e anseiam pela efetivação do seu direito à habitação própria.

De uma maneira geral, os Municípios do interior do país, ao contrário das atuais políticas de expulsão e pauperização dos seus munícipes, têm de passar a propiciar novas condições de permanência, atração e melhoria das condições socioeconómicas e habitacionais das suas populações.

Ou seja, passarem a fazer exatamente o oposto do que propagandeiam, e já bastam as políticas de paisagens bucólicas e de passarinhos, sem gentes, sem produtividade, nem criação de riqueza.

Respondendo-se com novas, simplificadas e transparentes regras de ocupação, dinamização e recrudescimento patrimonial e urbano de qualidade e respeito ambiental.

Entre outras alternativas, poderão ser a diminuição para metade, ou menos, das áreas mínimas dos lotes e terrenos agrícolas e florestais para a implantação de novas infra-estruturas produtivas e habitacionais, a criação de novas áreas semirrurais e semiurbanas, o emparcelamento rural, administrativo se necessário para o efeito, e a aplicação das modernas infraestruturas e módulos habitacionais autónomos, não intrusivos e pré-fabricados.

Isto, ao invés das atuais políticas governamentais e centrais de esmolas, funerais e pitonisas, colocando as cada vez mais escassas e calcinadas populações à míngua, de joelhos e mãos estendidas.

 

(artigo do autor, publicado na edição de 31 de dezembro de 2022 do jornal mensário regional  "Jornal Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)

 

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publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 09:45
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2022
Selfie made man

Diz o provérbio que “mais vale cair em graça do que ser engraçado”.

É ao jeito do comentário do Presidente da República sobre a grave violação dos direitos humanos no Catar, palco deste Campeonato Mundial de Futebol.

Marcelo, no seu hábito de comentador de futebol, entre outras frugalidades, esqueceu-se das suas especiais responsabilidades políticas, legais e constitucionais.

À custa de querer ser popular não olhou a palavras (ora afirmando, ora desdizendo).

Selfies, croquetes ou ginjinhas, o importante é mesmo ser notado nos noticiários televisivos.

Mas, já se apressou, com outros figurões do Estado, em alinhar nos lustros e viagens aos futebóis, fazendo tábua rasa dos direitos dos mais sofridos do mundo.

Não é por acaso que o rico socialista António Costa também não olhou a despesas na compra duma simples mesa e vinte e quatro cadeiras.

Foram 21 mil euros, à custa dos contribuintes, para suas excelências sentarem confortavelmente o rabo na Presidência do Conselho de Ministros.

Isto é escandaloso, num país em que mais de 3 milhões de crianças, idosos, deficientes, mulheres e homens, não possuem os meios económicos mínimos para fazer face à fome e ao frio, sobrevivendo sem médico de família, sem saúde e sem medicamentos, entre muitas outras privações, dificuldades e misérias,

E, para vexar ainda mais os portugueses competentes e trabalhadores, um recém-licenciado, sem qualquer experiência ou currículo, filho de uma amiga do pai, ex-Ministro, da Ministra socialista, chegou rapidamente ao salário milionário de 4 mil euros mês, mais do que auferem muitos técnicos especializados, cirurgiões ou professores catedráticos do Estado ao fim de décadas.

Bastou ter em dia a ficha de militante no Partido Socialista.

Afinal, para se chegar a Secretário de Estado, autarca ou deputado da nação, basta estourar 300 mil euros dos contribuintes, ou aumentar a fortuna pessoal por meio de negócios do Estado ou das Câmaras, e sempre demonstrando as qualidades de medíocre ou néscio.

Sobram arguidos e escandaleiras na governação, é o país que temos.

O provérbio é bem o contraste da atual sociedade portuguesa.

O sucesso depende especialmente da melhor publicidade e da imagem pública, dos “padrinhos” e amigos nos sítios certos, ao invés da honorabilidade, da competência e do esforço pessoais mantidos no recato.

Afinal, como nos é diariamente exibido, para se fazer um homem, ou uma mulher (made man/woman), em Portugal, bastam as fotos do próprio (selfie).

 

(artigo do autor, publicado na edição de 1 de dezembro de 2022 do jornal mensário regional  "Jornal Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)

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publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 12:55
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2022
125 euros

Voltou à atualidade o tema da fome e da subnutrição de mais de 3 milhões de portugueses (destes são 300 mil crianças, 200 mil idosos e 1 milhão e 900 mil mulheres).

O problema, que é crónico, é um mal estrutural e residente nacional, acompanhando mais de 1/3 dos portugueses desde 1974.

Mas a fome e os problemas da deficiente alimentação dos portugueses, vem de há muito na nossa História, que os sucessivos regimes políticos, pelo menos de 1910, prometeram eliminar, mas nunca cumprido e nem tão-pouco quiseram resolver.

As várias privações materiais dos portugueses, como a pobreza, a fome e a doença, ou, mais recentemente, a dependência, ou habituação, dos apoios, ou migalhas, sociais do Estado, são fatores eleitorais imprescindíveis, tal como o número dos funcionários públicos, a escola pública e outras teias e vícios públicos, para se ganharem eleições em Portugal, tomar o poder e controlar as pessoas e o país.

O aumento exponencial da grave fome em que se encontram diariamente mais de 3 milhões portugueses, o que devia nos envergonhar, levar à demissão de um Governo inteiro, ou colocar em causa todo o sistema político, social e económico, afinal …é aceite como uma “simples” normalidade.

A fome, a pobreza e o subdesenvolvimento nacionais são inaceitáveis e deviam obrigar-nos a repensar o nosso destino comum.

A sua aceitação são uma ignorância e uma ignomínia que muitos portugueses adotaram fielmente como parte da sua subcultura, do seu débil e tacanho modo de ser e de estar.

Mas, isto é assim porque se conjuga com os mais de 20 mil milhões de euros anualmente consumidos na corrupção, a somar aos 23 mil milhões anuais de desperdício do Estado, tudo somando cerca de 45% da receita fiscal, em que as elites sociais, económicas, públicas e políticas, para seu contento e satisfação, se entretêm e banqueteiam diariamente.

E, o cúmulo do cinismo social, ou para a melhor definição da estupidez crassa de muitos mais milhões de portugueses, o Estado redistribui 125 euros (+ 50,00 € por dependente) para cada português presumidamente pobre,

Ou seja, a esmola de meros 2,5% de toda a carga fiscal com que esmaga a economia nacional e os contribuintes.

Já por cada funcionário público a mais é necessário fabricar mais seis novos pobres, esfomeados e débeis.

Ao invés de tratarem procurar novas e alternativas soluções económicas e fiscais, de crescimento e liberalização económicas, em ordem a eliminar estes e outros tantos males endémicos, milhões de portugueses, de mão estendida, preferem deixar-se manipular com selfies, ideologias, crimes e abusos de poder.

Afinal, tanta estupidez é porque já é cultural, é a portugalidade.

(artigo do autor, publicado na edição de 1 de Novembro de 2022 do jornal mensário regional  "Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)

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publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 09:28
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Sexta-feira, 30 de Setembro de 2022
Poluição

Parece hoje haver em Portugal um direito de poluir.

A poluição assentou arraiais, está por todo o lado, entra-nos pela casa adentro e cola-se à nossa pele.

Da impunidade até à liberdade de poluir foi um curto passo.

A poluição assume hoje as mais variadas formas, atmosférica, sonora, visual, hídrica, terrestre, térmica ou luminosa.

A poluição contamina, destrói, envenena e mata anualmente milhões de pessoas, organismos, espécies e espécimes.

As falta de respeito, de civismo e educação pela natureza, pelo meio ambiente e pelos outros, apesar das campanhas de sensibilização, informação, educação e legislação ambiental e natural, perpassam num cada vez maior número de atos e autores.

O vizinho que liga a estereofonia em altos brados, a altas horas da noite, a vizinha que martela os saltos altos no pavimento do apartamento. Os consertos de batucada ululante e gritaria esquizofrénica, sob os efeitos do álcool e da droga, ampliados por ensurdecedoras e estridentes colunas, martelando a noite, destruindo o sono, o repouso e a saúde de crianças, trabalhadores, idosos e doentes. O motoqueiro com o tubo de escape livre ruidoso e ensurdecedor. As queimadas a céu aberto de lixos e resíduos. A descarga de químicos, estrumes, óleos ou resíduos negros no meio natural. O arremesso de recipientes, sacos, embalagens, beatas, papéis, plásticos, entulho e os restos de construção civil, sucatas e metais e outros, para os solos, bermas das estradas, cursos de águas e matas, caminhos e florestas. As chaminés industriais expelindo fumos espessos, negros, fétidos, ácidos e irrespiráveis. Os veículos pingando óleos e debitando gases tóxicos. Os veraneantes e os transeuntes conspurcando as praias, os campos, as dunas, os recifes, os rios e os oceanos. Os surfistas e os pescadores jogando ao mar cordas, cordéis, cordames, redes e esferovites. As pecuárias e as explorações industriais de animais empestando o ar e conspurcando as águas e os solos. Etc, etc.

Numa ida ao caixote de lixo vemos que a maioria das pessoas não separa as embalagens, os vidros, as pilhas, os óleos, os papéis e os plásticos e não os coloca nos contentores próprios, ou, como os eletrodomésticos usados, deitam-nos nos baldios, nas florestas, nas ribeiras e nos rios.

Os efeitos desta selvajaria são as alterações climáticas, o aquecimento global, o degelo, a subida do nível dos mares, o envenenamento dos aquíferos, a escassez da água potável, a seca extrema, as florestas ardendo, a extinção da fauna e da flora e dos recursos naturais.

E o Estado, as entidades e os corpos policiais especializados do ambiente e da natureza, muitas vezes, ao invés de vigiarem, cuidarem e sancionarem os delinquentes e criminosos ambientais, assistem cúmplices e cobardemente a este genocídio.

Ainda vamos a tempo de nos salvar?

(artigo do autor, publicado na edição de 30 de Setembro de 2022 do jornal mensário regional  "Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)

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publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 13:10
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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2022
A arraia-miúda

A repetida falta de acessos, caminhos e aceiros, entre muitos outros problemas e deficiências, de que os bombeiros se queixam, ano após ano, no combate aos incêndios florestais, é o claro sinal que as Câmaras Municipais não fazem o seu trabalho de prevenção e ordenamento.
Um pouco por todo o lado, impera a desordem florestal e o desordenamento do território.
As Câmaras Municipais, inundadas de milionários dinheiros e fundos europeus e nacionais desde há décadas, persistem em desprezar os meios e recursos naturais.
Temos de perguntar a estes autarcas o que fazem com os nossos impostos, como e com o quê ocupam o seu tempo, os lugares luxuosos e privilégios para os quais são eleitos com os votos do povo.
Olhamos para a floresta circundante, o dito “Pinhal do Interior, agora transformada numa bomba incendiária de eucaliptal, logo percebemos que se estão marimbando.
Ano após ano sucedem-se as romarias de velórios e viúvas, a pobreza das gentes, das aldeias e dos lugares, a pedinchice ao Governo Central, os velórios e as viúvas, o deserto e a negritude a perder de vista para os poucos que ficam.
Há muito defendo que a solução para o interior do país, de modo a colocar as Câmaras a cumprirem com as suas obrigações e responsabilidades locais, passa por as reduzir a um décimo das atuais.
Libertar-nos dos muitos caciques e da despesa inútil, permitindo aos seus milhentos funcionários se emanciparem da burocracia e das secretárias, colocando as pessoas e as empresas a trabalhar efetiva e produtivamente.
E até que as Câmaras Municipais sirvam fundamentalmente de agências de emprego local, ou de meras arenas de disputa de poder, de tráfico de negócios e influências entre caciques locais, jamais poderão servir com utilidade as populações locais, os seus reais interesses e crónicas carências.
Mas não há com o que estranhar deste malfadado destino.
Afinal, esta é a arraia-miúda que o populista Presidente Marcelo elogiou no último “10 de junho” e das Comendas, ou como melhor Luís de Camões os apelidou de “Velhos do Restelo”.
Gabe-se-lhes o míster, aumentam a prole e a descendência nos confins da Península Ibérica, dando gentes e cores às terras lusas.

 

(artigo do autor, publicado na edição de 1 de Agosto de 2022 do jornal mensário regional  "Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)

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publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 12:54
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Domingo, 26 de Junho de 2022
Mexicanização

O substantivo mexicanização, no sentido político da palavra portuguesa, tem origem na experiência do Partido Nacional Revolucionário (PRI) que governou, ininterrupta, absoluta, corrupta e criminosamente, por quase 100 anos, o México.

Em Portugal podemos observar o modo adotado pelo Partido Socialista para se perpetuar no poder, quer através de arranjos eleitorais, influência de caciques e, chegando mesmo, à concessão de estímulos e proveitos aos eleitores e aos eleitos.

A sua estratégia de poder passou a traduzir-se na mera obtenção dos votos da maioria nas sucessivas eleições, tudo para, e não mais, perpetuar o controlo absoluto e omnipresente do aparelho de Estado.

Para a posse dos eleitos vale apresar um eclético e alargado leque dos candidatos, até mesmo vindos de outros partidos, pela simples mudança de camisola, os chamados “vira-casacas”, fornecendo-lhes em troca, ou oferta, lugares, apoios financeiros, benesses, contrapartidas, empregos na função pública, ou acessos privilegiados a infraestruturas e bens públicos.

E para o controle dos eleitores, a (dita) pandemia do Covid 19 ofereceu a ímpar e derradeira oportunidade de alienar as massas populares, vivendo de sobras e raspadinhas, oferecendo-lhe um cabaz misto de alimentos, rendimentos, habitação, rendas e outros, gratuitos e sem esforço, em troca do voto garantido no PS.

O PS já alimenta, cuida, educa e apascenta mais de metade dos portugueses; afinal, sem o PS mais de 5 milhões de portugueses já não sobreviveriam.

Mesmo com o país a definhar na pobreza, no atraso e no subdesenvolvimento, o PS, naturalmente…, alcançou a derradeira maioria absoluta nas últimas eleições legislativas.

O Estado orgânico, desde o Estado Central, as Regiões e as Câmaras Municipais, passando pelas empresas públicas e demais organismos públicos, até aos órgãos de soberania, de fiscalização e controlo do próprio aparelho estatal, formam a grande coutada do PS.

A rede e a teia socialistas asfixiam ao ponto de a alternativa eleitoral do PSD ter-se sumido, até o seu líder Rui Rio, dizendo-se esquerdista, se rendeu ideologicamente aos usos e abusos socialista.

A restante pífia oposição faz de conta e, aquele que servia de contrabalanço, o Presidente da República, salvo algum arrufo ou ciumeira, como foi o recente caso das viagens a Kiev, Ucrânia, vive de acordo com a agenda do Querido Líder António Costa.

As próximas eleições serão apenas uma mera formalidade, o país já podia chamar-se de México (da Europa).

Pois quem não estiver pelos ajustes com esta nova república popular socialista terá o bom remédio de se calar, para sobreviver, ou, melhor, terá de sair do país pela porta da serventia.

(artigo do autor, publicado na edição de 30 de Maio de 2022 do jornal mensário regional  "Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)

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publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 22:52
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Terça-feira, 3 de Maio de 2022
Putinismo

Diz-se o Putinismo, relativo a Vladimir Putin, o ditador da Rússia, que consiste numa ideologia e ação político-militar de cariz autoritária, repressiva e violenta.

O Putinismo, internamente na Rússia, procura eliminar pela força as liberdades políticas e cívicas, o Estado de Direito e a democracia, prendendo ou assassinando toda a dissidência e oposição, e externamente, invade e agride militarmente os países vizinhos democráticos e liberais.

Os países fronteiros da Rússia, a Geórgia, a Moldova e agora a Ucrânia, as primeiras vítimas do expansionismo russo e putinista, vêm os seus territórios e recursos invadidos e destruídos, e os seus povos massacrados e trucidados, com dezenas de milhares de vítimas e em fuga.

O Putinismo é similar aos males do nazismo, fascismo e estalinismo do século XX, mas regurgitando a falecida URSS e o imperialismo russo.

Em Portugal vemos vários proeminentes putinistas e russófilos, os reformados militares no comentário televisivo da guerra na Ucrânia, mas também conselheiros governamentais e ministros.

Muitos deles são conhecidos por terem fornecido informações e dados confidenciais dos portugueses e de Portugal à China e à Rússia comunistas e totalitárias.

No PCP, como dantes, assistimos aos seus anacrónicos atores, nos seus velhos tiques e hábitos de obediência às “ordens de Moscovo”.

Neste novo violento e instável quadro político-mundial, em resultado da agressão russa à Ucrânia, recuperamos um velho e grave problema de Portugal.

Portugal de há muito não possui o exército, a marinha ou a aviação, com o número mínimo de meios humanos e materiais, capazes e adequados para a defesa aos perigos externos e militares que se aproximam.

Há muito desprezamos os nossos recursos naturais, território, ar e mar, seguindo a política do pós 25 de abril de 1974, de alienar de barato os recursos nacionais e os entregando a países e interesses estrangeiros.

O Orçamento Geral de Estado para 2022 prevê apenas 1,14% do PIB para despesas de Defesa, desrespeitando os compromissos e obrigações da NATO de aplicar 2% do seu PIB em investimentos da sua Defesa.

Perante a gravíssima agressão da Rússia à Europa democrática e livre, o atual Governo, opta pelo enfraquecimento das capacidades militares e defesa nacionais, expondo-nos ainda mais ao perigo duma possível agressão militar externa.

Já os países europeus reforçam os seus investimentos nas suas forças armadas, até mesmo a Suécia e a Finlândia, países neutrais, tratam de aderir à Nato, capacitando-se e responsabilizando.

Neste preocupante cenário europeu e mundial, tem de se questionar até quando Portugal continuará irresponsavelmente a expor-nos a perigos e fraquezas, pondo-se em causa ou entregando a países e forças externas, a soberania, a independência e a identidade nacionais?

(artigo do autor, publicado na edição de 30 de Abril de 2022 do jornal mensário regional  "Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)

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publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 12:46
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Domingo, 3 de Abril de 2022
Os intolerantes

Karl Popper, um dos maiores filósofos do século XX, no termo da II Guerra Mundial, em 1945, publicou uma das mais notáveis obras político-filosófica de todos os tempos da Humanidade, ”A sociedade aberta e os seus inimigos”.

É uma obra essencial para perceber as características, os meios e os fins das autocracias e dos totalitarismos e, em oposição, o foco que temos de colocar na defesa das sociedades abertas, tolerantes, fraternas e desenvolvidas.

E as ferramentas para isso são o permanente debate, a democracia e as liberdades.

A obra, de dois volumes, aborda os sistemas políticos autoritários e totalitários mais marcantes do século XX, como foram o e o platonismo na época clássica, fascismo e o comunismo, com especial foco no marxismo, colocando a nu as suas violentas, desumanas e odientas asserções e princípios anti-humanos.

E Karl Popper escreveu sobres estes tipos de regime e ideologias uma afirmação que se tornou tão célebre, quanto verdadeira e profética, sobre o chamado paradoxo da tolerância:

“A tolerância ilimitada levará ao desaparecimento da tolerância. Se estendemos tolerância   até àqueles que são intolerantes, se não estamos preparados para defender a sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, juntamente com a tolerância. …devemos reservar o direito de suprimi-las, mesmo através de força; porque poderá facilmente acontecer que os intolerantes se recusem a ter uma discussão racional, ou pior, renunciarem a racionalidade, proibindo os seus seguidores de ouvir argumentos racionais, porque são traiçoeiros, e responder a argumentos com punhos e pistolas.  Devemos, pois, reservar o direito, em nome da tolerância, de não tolerar os intolerantes.”

Também no final da II Guerra Mundial, o General norte-americano George S. Patton, um dos líderes militares da vitória Aliada sobre os nazis, avisou-nos, qual profecia, que um dia ainda viria a ser travada uma guerra fratricida com a Rússia totalitária comunista, procurando esta subjugar as sociedades democráticas e livres ocidentais, com o custo de muitos milhões de mortes e vultuosa destruição.

E eis que a horrenda guerra na Ucrânia, perpetrada pela Rússia imperialista e colonialista, saudosista da União Soviética, procurando esmagar a liberdade do povo ucraniano, permitiu-nos melhor identificar os intolerantes no espaço político.

Por exemplo, da extrema-esquerda, o caso português no Partido Comunista, e da extrema-direita, no caso húngaro, o primeiro-ministro Viktor Orbán.

Avistamos neles em comum a sua total aversão, cínica e hipócrita, na condenação da hedionda carnificina do povo ucraniano.

E para a nossa sobrevivência, a emergência dos neocomunismo e neofascismo, personificados no carniceiro e criminoso de guerra Vladimir Putin, obriga-nos a denunciar, expor e combater os intolerantes, por meios pacíficos, mas, se necessário for, no limite e para a nossa sobrevivência, expulsá-los pela força dos meios públicos.

(artigo do autor, publicado na edição de 1 de Abril de 2022 do jornal mensário regional  "Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)

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publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 12:36
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Quinta-feira, 17 de Março de 2022
Infâmia

Os cenários de horror, tragédia e sofrimento humanos em massa, levados a cabo no solo europeu pelas I e II Guerras Mundiais, que a todos parecia distante e definitivamente afastado, eis que surge de rompante à nossa porta.

A agressão bárbara levada a cabo à Ucrânia pela mão de Vladimir Putin, é a reação ao perigo que o ditador sente vir das democracias e da liberdade para o seu regime autocrático e tirânico.

Para manter o seu regime fascista, revivalista do comunismo e sovietismo, o oligarca Putin está disposto a chacinar todos aqueles que se lhe opõem.

Teríamos de perguntar-lhe se o povo ucraniano não conta, mas o ditador não permite dúvidas ou críticas, aliás é conhecido por mandar assassinar todos os seus adversários, opositores e críticos.

A história rebuscada que o déspota usou para colocar em causa a soberania, a liberdade e autodeterminação da Ucrânia, explica integralmente a ignorância, a maldade e o carácter vil que o informal e determina.

Só mesmo comparável a Hitler, Estaline, Mao Tsé Tung, Pol Pot e outros genocidas.

Mas a retórica prolixa deste verdugo, jamais justificará a violação de tratados internacionais, a violação de fronteiras de um país soberano, e, muito menos, legitima a perseguição e o sofrimento, os assassinatos e as mortes infligidos a todo um povo.

Os povos, as pessoas, as liberdades e as vidas humanas estão sempre e inquestionavelmente acima de quaisquer lógicas políticas, territoriais e estratégicas.

Os povos podem e devem escolher livre e pacificamente os seus destinos e opções, assim o dita a Carta das Nações Unidas, os tratados e as convenções dos Direitos Humanos e o Direito Internacional, que todos os países, incluindo a Rússia, com assento na ONU, subscreveram e se comprometeram respeitar.

Mas Vladimir Putin, acobertado cobardemente pelas armas nucleares da Rússia, resolveu, unilateral e arbitrariamente, vilipendiar o povo ucraniano livre e irmão do povo russo.

Estas são horas tenebrosas para a Ucrânia e o seu povo, entregues à sua sorte e às mãos dos sanguinários, com o qual, não podendo nós ir em seu auxílio militar, partilhamos as nossas orações, solidariedade e mágoa.

E estamos à beira dum novo conflito mundial, com  o risco de tudo o que está à face da Terra acabar numa imensa fogueira planetária e radioativa, em resultado da III e última Guerra Mundial!

Certamente, Deus julgará e punirá os autores desta monstruosa infâmia sobre, em particular, o inocente e martirizado povo ucraniano e, em geral, a Humanidade.

Mas, nesta hora terrível para toda a Humanidade, roguemos a Deus nos poupe de cair no precipício do Apocalipse.

 

(artigo do autor, publicado na edição de 28 de Janeiro de 2022 do jornal mensário regional  "Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)

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publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 17:07
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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2022
O monstro

A receita fiscal dos combustíveis no ano de 2021 alcançou 3,5 mil milhões de euros (mm€).

A receita fiscal do Estado Português prevista para 2021 foi de 46,5 mm€.

Já a corrupção e a fraude no Estado Português em 2020, segundo dados do Parlamento Europeu, atingiu 18 mm€.

Portanto, 38% do total dos nossos impostos são para sustentar a corrupção, já a receita fiscal dos combustíveis só alcança 19,5% dessa fatura criminosa.

Em 2020, o total da despesa pública do Estado Português atingiu 98,1 mm€, o que corresponde a 48,4% do PIB nacional.

O desperdício económico (baixas produtividade e rentabilidade, perdas, prejuízos e gastos inúteis e desnecessários) no Estado Português representa atualmente cerca de 34% do total dos seus gastos e necessidades financeiras, ou seja, 33,3 mm€.

Temos assim que, segundo as contas de organismos independentes e credíveis, 52% de toda a despesa efetuada pelo Estado Português é deitada ao lixo, sem qualquer utilidade para os portugueses e contribuintes.

São 51,3 mm€ do esforço e do trabalho dos contribuintes portugueses desbaratados inutilmente!

Mas, este é o mesmo Estado que não dota os seus Tribunais Administrativos e Fiscais (TAF) dos meios humanos e materiais mínimos e necessários para o seu melhor e célere funcionamento a aplicação de justiça, estimados em meros 300 a 400 milhões de euros anuais.

É que já interessa ao Estado Português que os TAF não possam agir e julgar na defesa dos cidadãos, empresas e contribuintes, ao invés permitindo-se assim que os governantes centrais, regionais e locais, autarquias e demais decisores e poderes públicos, particularmente o Fisco, ajam com mãos livres, irresponsável e impunemente.

É que o rápido e melhor funcionamento dos TAF poria, rápida e substancialmente, em causa muitos abusos fiscais, a prepotência e ilegalidade, e, ainda mais a nu, a escandalosa corrupção e o vergonhoso desperdício do dinheiro dos contribuintes.

Estes são uns poucos, mas significativos, dados e contas, mas que deviam fazer-nos a todos pensar na manutenção, ou, melhor, redução drástica deste Estado monstro que nos consome, esmaga e sacrifica.

E, em alternativa, em ordem de um melhor e mais feliz futuro de todos nós, portanto a nosso contento, sem mais ideologias ou políticas estúpidas, mudarmos e diminuirmos radicalmente este Estado.

Ou, afinal, que Democracia e Estado de Direito querem os portugueses?

(artigo do autor, publicado na edição de 31 de Janeiro de 2022 do jornal mensário regional  "Horizonte" de Avelar, Ansião, Leiria)

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publicado por Sérgio Passos (twitter: @passossergio) às 17:02
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