Ideias e poesias, por mim próprio.
Terça-feira, 9 de Agosto de 2016
O negócio dos incêndios florestais interessa a quem?

Segundo o que se sabe, muito parcialmente, porque os sucessivos Governos recusam prestar os esclarecimentos cabais dos contratos feitos com os respetivos privados, tem de se fazer uma pergunta: com os 1.500 euros (mais IVA) à hora pagos a cada helicóptero privado, por acaso, não interessará a estas empresas, ou a quem os sub-contrata, que arda o maior número, a maior área de floresta possíveis e pelo maior período de tempo possíveis?

Isto é simples, é uma mera conta de aritmética: quanto mais fogos e mais tempo durarem os incêndios mais estas empresas privadas lucram!

O que nós sabemos é constatamos é que estas empresas privadas que ainda há bem pouco tempo tinham que alugar os seus meios aéreos a empresas estrangeiras, agora já têm enormes frotas próprias de helicópteros, hangares e pavilhões seus, feitos novos e de raiz, e até já possuem aeródromos seus.

E nem falamos aqui de ex-ministros, secretários de estado e altos chefes de serviços públicos, ligados às florestas, à proteção civil e aos bombeiros, que adquiriram fortunas súbitas e que passaram ostentar sinais de riqueza fácil e recente de um dia para o outro.

E porque é que, afinal, e perante os fumos evidentes de corrupção e desvio dos dinheiros públicos, o Estado não entrega a atividade e a função de apagar os fogos ao Exército e à Força Aérea, que é uma atividade fundamentalmente de Segurança e Defesa nacionais, tal qual como é o da proteção das nossas fronteiras, dos recursos marítimos ou do mar, já que não se vê, e não há, qualquer diferença com a segurança interna pública de pessoas e bens?

Ora, se até aos finais dos anos 80 era mesmo a Força Aérea que combatia com sucesso, aliás assinalável, os incêndios, e possuindo meios e gente formada para tal, que só custavam a sua despesa de funcionamento, porque é que deixaram de o fazer e passou-se a entregar esta função, agora com lucros milionários, aos privados?

E quem é que fiscaliza se estas empresas e os seus meios aéreos apagam competentemente os fogos? Se o fazem com a qualidade necessária? Ou se empregam todo o seu esforço e competência para tal? E como é que se fazem os contratos e como são avaliados os concursos públicos? Etc., etc.

E porque é que os sucessivos Governos não mostram, nem sequer publicamente são escrutinados, os contratos e não revelam os seus contornos e, tão-pouco, mostram os valores pagos aos privados e os critérios para tanto?

Porque é que os sucessivos Governos têm cortado verbas na prevenção florestal, extinguiram a função de guardas florestais, não apoiam e não incentivam os pequenos produtores florestais privados, portanto os maiores proprietários da mata nacional, para tratarem e cuidarem da sua florestas, ou a tomarem medidas antecipadas para proteger e defender previamente as florestas e os recursos naturais?

Ou seja, porque é que os sucessivos Governos de Portugal não incentivam, não apoiam, não canalizam recursos públicos para a proteção e o cuidado com a floresta, ou seja prevenindo e diminuindo os fogos antes da época dos incêndios, mas e em vez da necessária prevenção e preservação do meio ambiente, da floresta e dos recursos naturais, só invés, preferem, cada vez mais gastar, mais e mais, com meios e despesas no combate aos fogos que, só continuam a piorar e cada vez mais destroem os recursos nacionais, encurtam a floresta e, em resumo, empobrecem os portugueses e o país?

E porque é que a própria floresta da propriedade do Estado também está vetada ao mais completo abandono?

Já agora, a frota de 10 a 15 aviões canadair, meio essencial para combater os fogos e sempre reclamada pelos peritos e bombeiros nacionais, considerados vitais para o esforço de combate eficaz aos fogos, orçados em cerca de 200 milhões de euros, o equivalente à floresta nacional destruída anualmente, porque é que nunca foi adquirida e, ao invés, os Governos deixam a floresta nacional continua a ser destruída facilmente por esta grosseira e criminosa negligência?

Só no verão de 2013 terão ardido da floresta recursos equivalentes de mais de 100 milhões de euros.

Ora, estas são demasiadas e sérias dúvidas, graves interrogações, muitas incertezas, demasiadas ambiguidades e muitas nuvens escuras e, de certeza, mas que, todos anos permitem impunemente demasiados e destrutivos fogos, que ardem descontroladamente, que destroem o património público e privado, a poupança, as economias e o esforço dos particulares e até mesmo as vidas, os projetos e as aspirações dos portugueses

O que sabemos é o lucrativo é concessionado aos privados, mas tudo o que dá prejuízo é suportado pelo Estado e pelo dinheiro dos contribuintes.

Afinal, o Estado Português e os partidos políticos, todos sem exceção, deste maquiavélico e demoníaco regime político português têm, sem qualquer dúvida, as mãos conspurcadas de cinzas dos incêndios que destroem Portugal.

Entretanto, tudo isto cheira mesmo muito a esturro!

 



publicado por Sérgio Passos às 20:32
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11 comentários:
De Nuno Pinto a 14 de Maio de 2014 às 20:40
Por isso no verão passado perto de miranda do douro se viu uma avioneta passar e pouco tempo depois estava tudo a arder. E já não foi a primeira vez!


De Nuno Batista a 10 de Agosto de 2016 às 16:02
É tanta ignorância junta que nem me dei o trabalho de Ler tudo. Mas digo lhe o seguinte, os contratos são públicos e de consulta publica se necessário.
Acredito que após leitura dos mesmo consiga descortinar a quantidade de disparates por vc enfiados no texto do Blog "eu acuso".
Isto de acusar sem saber o que se diz.. para mim é falar de borla!

Cumprimentos,

Nuno Batista.


De Sérgio Passos a 10 de Agosto de 2016 às 16:12
Então mostre-me lá um desses contratos e envie-me por e-mail. Pode ser que o Senhor Nuno Batista consiga, finalmente, o que até hoje ninguém conseguiu, nem sequer o Tribunal de Contas, nem sequer nenhum jornalista. Cumprimentos. Sérgio Passos


De Nuno Batista a 10 de Agosto de 2016 às 17:00
Será que não está confundir com contratos das PPP´s? esses sim, não estão acessíveis.
Estamos aqui a falar de contratos públicos internacionais.
Agora para mim, o grande problema não está nos contratos em si, mas sim em quem beneficiou mt com eles como na aquisição dos Grandes KAMOVS, a Ideia Parida pelo Sócrates de criar a Famosa EMA(empresa de meios aéreos) que só deus milhões e milhões de euros de prejuízo anualmente até ser extinguida, quase que por ordem do tribunal de contas após a entrada do PSD no governo.
Isso sim foi o que nos afundou. Tente investigar sobre os Grandes Kamovs (aeronaves de estado com matriculas civis), sobre a empresa EMA e seus administradores.

Acredite que aí está o grande problema e onde o nosso dinheiro foi todo sugado.

Quanto à entrega desta "actividade" dos fogos aos privados, é feita por essa europa fora e só assim faz sentido, visto os estados não terem meios humanos e materiais para tal.

Veja isto como uma TAP.
Em toda a europa por exemplo já há muito que não existe uma empresa de aviação dos estados. mas em Portugal continua-se achar que devemos ser donos de uma.. enfim.

https://dre.pt/application/file/a/65943683

http://publicos.pt/documento/id65943540/resolucao-do-conselho-de-ministros-76/2014#Número-1

Neste dois links tem la o nome dos Contratos.. pode ser que os encontre.

Cumprimentos



De Sérgio Passos a 10 de Agosto de 2016 às 17:43
Os dados referidos por si são uma mera Resolução do Conselho de Ministros, não são os contratos que se querem saber e escrutinar, com as respetivas adjudicações dos serviços em causa! Fico à espera que mostre os contratos!!! Ou seja, continuamos na mesma, que é o problema levantado acima que é a base da suspeita de corrupção e ou má administração do dinheiro dos contribuintes. A TAP é outro belo exemplo de poço sem fundo de corrupção e desvario do dinheiro dos contribuintes. Tudo no chamado "caminho da sociedade socialista..." de que fala a CRP, ou seja mais corrupção e miséria. Cumprimentos.


De Nuno Batista a 11 de Agosto de 2016 às 09:49
Caro Sérgio Passos,

Sem duvida que o grande problema reside na corrupção e desvios de dinheiros públicos.
Quanto aos contratos.. já os vi, tanto eu como o Tribunal de contas que os auditou.

Segue Link interessante:

http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2009/2s/audit-dgtc-rel034-2009-2s.pdf

A contratação de meios aéreos para os fogos a privados faz todo o sentido.
Contratos sazonais.

Quando o estado quis fazer o contrario criando a EMA, deu no que deu.

Temos Helicópteros (Kamov) a operar com certificados martelados pela nossa autoridade para fazer combate a incêndios e EMS.
Algo extraordinário...sem falar que operaram sem seguro de casco... o que deu em 2 deles no LIXO.
Cerca de 19 Milhões para Lixo do nosso dinheiro.

Infelizmente é este o Portugal que temos.

Quando se diz que isto dos fogos é um negocio.. é sim sra. como tudo.
De borla nem o cão trabalha.

Mas já temos os exemplo de quando o estado comprou (comprou muitoooo mal) os meios aéreos deu no que deu graças aos corruptos dos nossos governantes.

Seria perfeito não termos que ir aos privados para este assunto, assim como para muitos outros, mas infelizmente sai bem mais barato ir aos provados do que serem estes nossos "grandes" administradores públicos a gerir sem fundo e sem responsabilidade o nosso €.

É o que temos.

Cumprimentos,



De Sérgio Passos a 11 de Agosto de 2016 às 10:06
Agora percebi melhor o seu interesse particular pelos contratos em causa e a melhor informação sobre a matéria. Só pode ser uma parte interessada, ao caso algum beneficiário destes contratos ruinosos para os contribuintes. Os privados são suspeitos de atear fogos e de ganharem dinheiro à custa da floresta queimada e da miséria e mortes alheias. Felizmente corre uma petição para entregar à Forças Aérea o combate aos fogos!


De Nuno Batista a 11 de Agosto de 2016 às 10:43
Está enganado,

Não sou parte interessada nem nunca serei.
Nem tem nada que fazer esse tipo de juízos, visto não me conhecer de lado algum.

Agora se não consegue ver "The Big Picture", temos pena.
Eu também já pensei como o Sr.
sempre achei um erro tremendo fazer contratos para este caso, como para outros com privados, mas temos que ver mais alem.

A Força aérea nem se quer meter nisso, nem tem capacidade.

Se o estado conseguisse gerir como deve ser, sem os parasitas e os sanguessugas seria optimo, mas já não acredito no pai natal.

Deixo lhe uma questão.. Sabe quanto custa um piloto da força aérea ao estado? não tem ideia? é muito dinheiro.. muito mais do que um piloto no privado.

Agora pergunta e porque??
A resposta é simples.. quem manda na Força Aerea? Estado!

Imagine agora o estado a pagar a pilotos da força aérea, comprar aeronaves, qualificar pessoal para tal, enfim.. seria mais um elefante branco.

Quanto a quem ateia os fogos tenho serias duvidas que seja alguém ligado ao combate.
Alias a PJ tem apanhado alguns incendiários e até agora n existe qualquer ligação com empresas de meios aéreos ou bombeiros.

Cumprimentos,


De Nobre Luso a 15 de Agosto de 2016 às 01:58
Não é um tal Relvas, que tentou passar por "doutor", que tem o monopólio do negócio do aluguer dos meios aéreos de combate aos fogos florestais?...
A minha pergunta é ingénua e bem intencionada. Gosto de ser esclarecido...


De Sérgio Passos a 15 de Agosto de 2016 às 15:46
Não, é o igualmente conhecido e famoso Domingos Névoa, dono da Everjets. Julgo que também deve saber que é esta personagem. Cumprimentos.


De anonymous a 9 de Setembro de 2017 às 11:14
tenho as minhas suspeitas que pese embora as razões aludidas acima terem fundamento há um pormenor que não tem sido estudado... As eólicas produzem oito vezes mais eletricidade com a duplicação da velocidade do vento. é notório que a seguir aos incêndios surgem torres eólicas nos terrenos mais elevados. é sabido que as árvores cortam o vento...Sem arvores os ventos são mais fortes e os parques eólicos produzem dinheiro! muito dinheiro! para aviões, bombeiros e mais que venha...


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