Ideias e poesias, por mim próprio.
Sábado, 28 de Junho de 2014
A poluição em Condeixa-a-Nova tem nomes e responsáveis.

Depois de terem sido consultados os muitos documentos e meios oficiais dos últimos 14 anos relativos ao grave problema de poluição e contaminação ambiental que tanto aflige a população local chega-se a uma conclusão, aliás própria e usual nos problemas dos grandes poluidores: este tem sido um jogo dos gatinhos e ...das ratazanas.

Primeiro, naquela laboração estão em causa interesses multimilionários (são milhões e milhões de euros ali fumegando) que movem a atividade em causa e que enchem os bolsos dos seus proprietários capitalistas.
Estamos perante personagens gananciosas, comilonas e ardilosas que não olham a meios para atingirem os seus altos objetivos monetários.
E bastaria um simples e rudimentar meio de controlo das emissões gasosas para resolver o problema, representando um custo ínfimo dos seus milionários lucros auferidos em cada ano!
Contudo os seus sócios capitalistas deixam-nos o inferno da poluição, conspurcando tudo e todos ao seu redor, enquanto levam muitos milhões de euros nos bolsos para as suas ricas e perfumadas casas!
Os industriais poluidores haviam de viver exatamente ao lado das suas fábricas para verem o que “é bom para a tosse” e, certamente, a poluição seria uma raridade!

E o ar, o solo, a água, a fauna, a flora e o ambiente e a qualidade de vida locais definham a olhos vistos, os imóveis enegrecem, os habitantes não podem sequer abrir as janelas e as portas das suas casas, vivendo enclausurados em casa, em muitas alturas do ano, não podem secar a sua roupa ao ar livre, os seus filhos na rua e na escola respiram um ar gorduroso, sujo e nocivo, os idosos vão asfixiando, as doenças respiratórias dos residentes aumentam.
Os residentes e naturais em resposta às suas queixas foram convidados nas redes sociais por esta empresa agressora e poluente a saírem da sua própria terra!
A meia dúzia dos seus operários manuais, mal pagos, explorados até ao tutano, "carne para canhão", operando junto de um enorme foco venenoso, letal, e nauseabundo, têm sido, hipocritamente, usados para esgrimir a defesa daquele foco de poluição e contaminação ambientais.

São habilidosas porque sabem movimentar-se na complexa rede das instituições e autoridades oficiais que tutelam a respetiva atividade.
São sabedoras com antecedência das denúncias e das visitas dos inspetores, avisadas pelos seus ratos infiltrados nas autoridades e inspeções públicas.
Hábeis e manhosos sabem movimentar-se na teia das leis que regem as matérias do ambiente, dos resíduos, do domínio hídrico, das emissões e dos solos.
Ano, após ano, nos últimos 25 a 30 anos, estes sujeitos poluíram indiscriminadamente sem cumprirem minimamente com várias condições e requisitos legais, obrigações técnicas e regulamentares relativamente a inúmeros fatores e índices que lhes estão impostos de modo a mitigar a sua atividade poluente.
Contudo, marimbando-se para as suas obrigações, parece bem saberem contar, ou compram-nos, com os vazios, os silêncios, as cumplicidades e os esquecimentos dos vários organismos oficiais.
Contam com a inabilidade, a negligência, a incompetência e o atavismo próprio das instituições e autoridades oficiais que tutelam estas atividades.
E no poder local os funcionários atropelam-se uns aos outros sem serem capazes de tomar qualquer decisão efetiva, tudo se perde nos corredores.
A sua atividade delituosa está perfeitamente à vista e é bem sabida pelo Estado, mas as muitas instituições oficiais, tanto as de proximidade como as demais, licenciadoras, fiscalizadoras e sancionadoras, nada fazem para combater este grave problema.
Desde há muitos anos, têm sido meros gatinhos a darem-lhes "festas" e lambidelas, portanto, deixando-as reinar, gozar e abusar, à sua vontade dos habitantes locais.
Chegaram até ao ponto de chantagearem o poder político local exigindo-lhes milhões de euros de valor de área construtiva como compensação para se deslocarem para novas instalações.

E para os políticos não pode haver mais propícia ocasião e melhor proveito do que fazer-se mais um negócio com empresários gananciosos.
Ainda mais irónica foi a coincidência entre a marcação para dias a seguir da manifestação da indignação popular e a apressada deliberação do executivo local em ordem a deslocar-se esta fossa a céu aberto para as …proximidades!
Como se as nuvens de poluição dali libertadas não chegassem a 10 e mais quilómetros de distância!
A sua deslocalização a fazer-se, será, certamente (!), a troco de uns largos milhões de euros de indemnização e, a acrescentar, o provável licenciamento do atual espaço para uma nova e volumosa área de construção.
Ora bem, mais uma “derrapagem” e tudo a ser suportado pelos contribuintes!
Licenciamento imobiliário, construção, futebol e políticos, eis a conhecida “santa” aliança da III República de Portugal!
E até mesmo o presidente local pretende agora chegar à fala com os proprietários da empresa para com eles se entender!

Rotineiramente, quando outros "altos" e bem lucrativos interesses lhes convêm, por eles chamados de elevados volumes de bagaço, poluem descarada e prolongadamente ainda mais o ar circundante e em vários quilómetros ao redor, sujam e pintam de negro os edifícios em toda a sua volta, conspurcam a sua ribeira com águas sujas e não tratadas, contaminam os solos e o ambiente em geral.
O processo produtivo é feito à descarada, com a suspeita do uso de perigosos solventes químicos, com o processamento de resíduos apodrecidos, infestados, e à mistura com terra, pó, areia, fumos, lixo e demais bicharada aérea e rastejante.
Nas épocas mais lucrativas e convenientes, produzem sem controlo nem limite temporais, utilizando indiscriminadamente resíduos de várias proveniências e de vários tipos em adiantado estado de decomposição, portanto podres, azedos, infestos e conspurcados, libertando cheiros, odores, fumos e emissões fétidas, rançosas e nauseabundas que, gravemente, atentam contra a saúde humana e o meio ambiente envolventes.
A própria saúde pública está em grave suspeita ao serem colocados no circuito alimentar produtos para consumo que, garantidamente não são fiscalizados nem controlados, muito provavelmente são impróprios para consumo.

Ora, para dar lhes caça são precisos gatos pacientes, tenazes e corajosos.
O povo local, nos próximos anos, porque esta caçada vai durar e perdurar, é que vai decidir se quer continuar, ou não, a ser comido por parvo por estas velhacas criaturas.


"A ver vamos"!

 

 

 



publicado por Sérgio Passos às 20:18
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