Ideias e poesias, por mim próprio.
Domingo, 13 de Outubro de 2013
Deus é republicano ou monárquico?

A (ideia na) Monarquia é emocional e sentimental, não é racional, não é democrática, nem sequer lógica, e com isto tudo torna-se mesmo muito difícil discuti-la.

É fundamentalmente uma simples crença, mas é muito complexa para quem acredita nela porque adquire um carácter transcendental de fé ou mito numa convenção, pode até mesmo assumir-se como um tabu.

Na sua compreensão, temos, sobretudo, de entender as pessoas que acreditam na sua ideia e o fenómeno psicológico que está por detrás desta aceitação, assumindo contudo em muitas pessoas e dos casos dos seus crentes fanáticos o caráter de uma esquizofrenia social e política, portanto podendo até ser um caso para a psiquiatria..

A ideia monárquica torna-se ainda mais irracional quando apela ao carácter divino da sua fundamentação.

Não se percebe mesmo como é que um poder político, portanto temporal e humano, se pretende legitimar por meio do Divino.

O divino, como bem sabem os monárquicos, pretende-se intemporal e, mais importante, acima de todas as coisas terrenas.

E as famílias de sangue azul muito gostam de se rodear de fortunas e mordomias, e nunca desprezam mais sustentou e luxos pagos pelo erário público.

O pior mesmo é que sabemos do passado e da História que as monarquias começaram todas a partir o poder de indivíduos tiranos e sanguinários, foi legitimada pelo uso da força do punho, da espadeirada, da coerção e da violação, e, muito especialmente, por meio do abuso das prerrogativas dos primogénitos sobre os demais irmãos.

Não há nada mais paradoxal e contraditório do que as monarquias legtimidas com o cristianismo: o apelo ao poder terreno com a legitimação do divino!

O fenómeno recente da recuperação da ideia ou da causa monárquica é mais uma forma fácil, romântica e idílica, mas sebastianista e logo perigosa, de tentar resolver os problemas modernos que as pessoas simplesmente, por preguiça e por inércia, não querem, nem estão sequer interessados, elas mesmas resolver.

É verdade que muita repúblicas, tal como a portuguesa, não resolveram os problemas nacionais, mas a monarquia é ainda menos democrática do que a república, logo, à partida está muito menos propensa para resolver os problemas reais e amplos dos seus povos.

A monarquia é mais uma forma de estatismo, de paternalismo e de plutocracia, vive e perpetua-se na dependência cívica política dos (seus) adeptos e crentes.

Até se pode perceber a natureza dos processos saudosistas e recuperação do "belo e glorioso passado", mas ainda é bem mais verdade e real que "águas passadas não movem moinhos".

No essencial a Monarquia é a aceitação, pela via legal e ideológica que, pelo simples facto da linhagem e do sangue, ou do apelido mais no caso dos bastardos, passa a ser aceitável e natural a diferença entre pessoas, famílias, ou cidadãos, da mesma nação ou país.

De um lado, os privilegiados e soberanos, por razão dos seus apelidos e sangue, e do outro lado, a ralé e os súbditos, que, ainda por cima, têm de pagar aos primeiros tributos e obediência.

A monarquia é deveras irracional, portanto do ponto de vista da lógica é estúpida: é a resignação artificial perante uma pretensa diferença entre duas espécies humanas, de um lado os seres humanos superiores, donos e líderes do poder político, iluminados, abastados e abençoados pelo Divino, e do outro lado, os seres humanos inferiores que, como forma de punição da sua condição inferior ou do seu "pecado original", estão obrigados a obedecer,  servir e sustentar, sem reservas, aos primeiros e no seu proveito.

Na verdade, é a democracia, a antítese da monarquia,  com a sua qualidade e a sua verdade populares, que fazem a diferença a contento e para a felicidade dos povos.

A monarquia não é mesmo nenhuma resposta ou solução consistentes ou pragmáticas para a realidade crua e dura dos problemas, senão, só serve mesmo, para mascarar esses mesmos problemas e, pior, adiar a sua resolução.

A república é a condição natural da inclusão e da igualdade entre todos os nacionais e, se for realmente verdadeiramente complementada com uma boa a participada democracia, torna a soberania do povo o meio, o objetivo e o fim da felicidade desses mesmos povos.

E aqui não se desdenha a monarquia enquando uma bela historieta ou um belo conto de fadas!

 

 



publicado por Sérgio Passos às 19:39
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