Ideias e poesias, por mim próprio.
Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012
A justiça não persegue e não pune estes mercenários da política que deixaram Portugal na miséria porquê?

Segundo:

Irene Novais

 

"Juro, pela minha honra, servir-me do Estado": O estranho caso da renegociação das SCUTs (14/Out./11)

É só um mais caso mas ilustrativo dos labirintos políticos através dos quais, passando pelo Estado, os milhões fluem, em Portugal, do bolso dos contribuintes para o de certos grupos económicos, invariavelmente os mesmos.

Noticia a "Agência Financeira" que a reguladora do sector rodoviário denunciou em 2010 ao então secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, que a Estradas de Portugal estava a negociar um contrato ruinoso com o grupo Ascendi, referente às auto-estradas entre Barcelos e Guimarães e Famalicão e Vila Pouca e a várias ligações dos IC16, IC17 e IC30.

O trânsito era, pelos vistos, pouco e a concessionária perdia dinheiro pois se pagava apenas com portagens. O anterior Governo resolveu-lhe o problema: passou a pagar à Ascendi, por estradas que não custavam um cêntimo ao Estado, 1,864 milhões em rendas fixas, recebendo 1,267 milhões de portagens. Para isso mudou o Código da Contratação Pública e entregou depois (ou antes, não se sabe) a feitura do contrato a um escritório de advogados... ligado às construtoras.

O resultado foi um rombo de 597 milhões anuais na despesa pública que você, leitor, e eu estamos agora a pagar à Ascendi, isto é, à Mota-Engil de Jorge Coelho e ao BES.

O então presidente da Estradas de Portugal é hoje presidente da Opway, construtora do BES e accionista da Ascendi. E Paulo Campos figura de proa do "novo PS" de Seguro. Tudo está bem quando acaba em bem. ("História com final feliz" por M.A. Pina "JN" 14.out.11)

Actualização 30: O melhor emprego em Portugal (13/Out./11)

O jornalista António Sérgio Azenha é autor do livro "Como os Políticos Enriquecem em Portugal", editado pela Lua de Papel:

Os ministros e secretários de Estado em Portugal ganham menos de 6.000 euros mensais. Mas depois de saírem do Governo, muitos passam para empresas tuteladas pelo Estado onde os salários duplicam, triplicam, quadruplicam... Essa transferência milionária dos políticos para a esfera empresarial é legal face a um quadro legislativo permissivo. Mas será eticamente correcta? A passagem pelo Governo, em demasiados casos, não será apenas um trampolim para a riqueza? "Como os Políticos Enriquecem em Portugal" dá-nos a conhecer uma amostra representativa. Desde 1995, os rendimentos da classe podem ser consultados no Tribunal Constitucional, e há casos em que os aumentos rondaram os 3.000 por cento - o que equivale a, por exemplo, ganhar cerca de 22.000 € anuais antes de entrar no Governo e perto de 700.000 € anuais depois de sair. Num trabalho de enorme rigor, António Sérgio Azenha dá-nos a conhecer o percurso de 15 casos emblemáticos. Com todos os factos, números, percursos profissionais - que afinal parecem ser apenas um, tal a perturbante semelhança entre eles. Eis um resumo da situação:

A melhor emprego neste país é ser ex-governante. Como por um passe de mágica, acrescentar esse item ao currículum faz disparar o valor profissional do energúmeno, sem razões objectivas que o expliquem. Aliás, a lógica apontaria para que se passasse precisamente o contrário, já que, praticamente na sua totalidade, esses sujeitos não se notabilizaram propriamente pela competência. Por que acontece isto então? Deixo-o à imaginação dos leitores...

Posto isto passemos então ao desfile do tal Top 15, indicando o cargo e a remuneração associada (quando conhecida) antes de passar pelo governo (AG) e depois de lá ter saído (DG).

Pina Moura
1994 AG: cargo desconhecido. 21.814,00 E.
2006 DG: deputado à AR, presidente do CA da Iberdrola Portugal, vogal do CA da Galp Energia. 697.338,00E (3.200 %).
Jorge Coelho
1994 AG: economista, director da Carris. 41,233,00 E.
2009 DG: vice-presidente e presidente da comissão-executiva da Mota-Engil. 702.758,00 E (1.700 %).
Armando Vara
1994 AG: funcionário da CGD. 59.486,00 E (em conjunto com a mulher).
2010 DG: administrador do BCP. 822.193,00 E (1.400 %).
Dias Loureiro
1994 AG: (1o. ano como governante - Min. Administração Interna - por inexistência de dados anteriores). 65.010,00 E.
2001 DG: administrador da SLN e administrador da Ericsson Espanha. 861.366,00 (1.325 %).
Faria de Oliveira
1994 AG: (1o. ano como governante - Min. Comércio e Turismo - por inexistência de dados anteriores). 65.010,00 E.
2007 DG: presidente da comissão-executiva da CGD em Espanha. 700.874,00 E (1.080 %).
Fernando Gomes
1997 AG: presidente da Câmara Municipal do Porto. 47.901,00 E.
2009 DG: administrador executivo da Galp Energia. 515.000,00 E (1.075 %).
António Vitorino
1994 AG: assistente universitário e advogado. 36.089,00 E.
2005 DG: deputado à AR e advogado. 383.153,00 E (1.060 %).
Luís Parreirão
1996 AG: chefe de gabinete do Secretário de Estado da Administração Pública. 52.212,00 E.
2009 DG: vogal do CA da Mota-Engil. 463.434,00 E (890 %).
José Penedos
1994 AG: administrador da Hidrorumo. 112.947,00 E,
2009 DG: presidente da REN e vogal do CA da Rede Eléctrica de Espanha. 728.635,00 E (645 %).
Mira Amaral
1994 AG: deputado à AR. 64.968,00 E.
2001 DG: administrador do BPI. 414.294,00 E (640 %).
Castro Guerra
1995 AG: presidente do CD do CIEP. 43.658,00 E.
2010 DG: presidente da Cimpor. 210.828,00 E (485 %)
António Mexia
2003 AG: vice-presidente do CA e presidente da comissão executiva da Galp Energia. 680.360,00 E.
2009 DG: presidente do CA execut. da EDP. 3.103.448,00 E (455 %).
Ferreira do Amaral
1994 AG: deputado à AR. 64.968,00 E.
2009 DG: administrador da Semapa. 278.258,00 E (430 %).
Filipe Baptista
2004 AG: inspector-geral do Ambiente. 74.254,00 E.
2010 DG: vogal da Administração da ANACOM. 192.282,00 E (260 %)
Ascenso Simões
2004 AG: deputado à AR. 70.285,00 E.
2010 DG: vogal do CA da ERSE. 122.102,00 E (175 %).

(segundo dados publicados no Expresso Online em 13.out.11)



publicado por Sérgio Passos às 18:50
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