Ideias e poesias, por mim próprio.
Sábado, 3 de Março de 2012
E o Povo pah?

Correm nestes dias as teses e os apoiantes de mudança do Regime, ao caso, a crer nos fitos dos respectivos escritos, de uma mudança de República para uma Monarquia.

Ora, caso não fosse o meu elevado e sincero respeito pelas pessoas, sejam lá elas de "sangue azul" ou as de sangue comum e mortal, nestas últimas nas quais eu me incluo, eu diria que a conversa da Monarquia é para, no mínimo e na melhor das hipóteses, nos rirmos e às gargalhadas.

Isto para não chorarmos, que é o que apetece perante a miséria geral e a penúria em que o país está mergulhado!

Como em tantas outras coisas, esta história nova e fresquinha da restauração da Monarquia em Portugal é coisa própria de gente delirante e que vive, só pode mesmo, no mundo da fantasia, ou num qualquer mundo de "Alice no País das Maravilhas".

Neste país, como em tudo o mais que vemos escrito, mas o pior é mesmo vir de pessoas que julgávamos com algum tino ou juízo, parecem muito se preocupar com as "figuras" e com os "figurões"!

É a conversa costumeira da classe dirigente e mandante neste país: os problemas deles são os seus lugares, as suas regalias, os seus prémios e as suas comendas.

O seu assunto e tema são de tal modo e de tal maneira alheios à realidade e aos efectivos e graves problemas em que estamos mergulhados, que nem se preocupam, nem se ralam, minimamente com o real estado do país e a situação de fome em que centenas de milhares de pessoas já se encontram afligidas.

Semelhante a este alheamento e fuga à realidade de Portugal, qual negação maníaca da realidade, no que, aliás, os portugueses e muito especialmente as suas classes dirigentes e políticas desde há 38 anos, portanto desde o “25 de Abril de 1974”, são exímias, só consigo mesmo pensar no exemplo, tal qual, da Orquestra do Titanic a tocar valsas enquanto o próprio Titanic se afundava.

Mas, já com o Povo e a real e efectiva Democracia não vejo muitos sujeitos preocupados, melhor, não vejo nenhum figurão, opinador ou comentador, ralados, nem lhes interessa.

É o sinal bem próprio e comum nas cabeças ilustres e pensantes deste país: o país e as suas pessoas, que muito e duramente sofrem nos dias que correm, não contam para conta ou coisa nenhumas.

Os idosos morrem aos milhares de doença, de fome e frio, e, veja-se, a sua preocupação é o Rei!
Seria também o caso de perguntar se o putativo candidato a rei de Portugal se debate com os mesmo problemas das contas da luz, da farmácia ou das taxas moderadoras nos Centros de Saúde.

Mas, os ilustres apoiantes da Monarquia, parecem, uma vez mais, preocupados efectivamente com as suas pratas e as suas porcelanas, os seus futebóis e fados ou, na melhor das hipóteses, com as contas do rosário de um terço.
Perante isto eu fico-me como o "outro": "e o povo páh"?!
E as pessoas de carne e osso, que sofrem, choram e se agoniam com fome, doença e miséria?

Pelos vistos, estes comentadores só se preocupam mesmo com a saúde do Povo para e quando este, com os seus costados pague a crise, ou responda com o seu sangue o desmando dos reis ou dos presidentes republicanos.

Pois nós, daqui respondemos, e não esquecemos, que a Monarquia também levou Portugal no final do Século XIX à ruína e à insolvência, da qual só muito mais tarde, já com Salazar e no Século XX, viria a recuperar.

E já agora, porque o assunto vai longe e não rende nem paga a renda, caso a ideia peregrina da Monarquia fosse por diante, eu não posso deixar de perguntar: qualquer um de nós, portanto qualquer cidadão, também se pode candidatar a ser Rei?

Ou também aqui há uns mais iguais do que os outros???

Ou posta a questão de uma outra maneira: a Monarquia afinal é do Povo e para o Povo ou é só para benefício de alguns???

Desculpem-me lá “qualquer coisinha”, mas já me vai faltando a pachorra para o alheamento em que este país e as suas pessoas vivem!

Ou quiçá, eu me engane e esteja prometido, do que eu ainda não fui informado, e esteja para chegar algum "Dom Sebastião" com o alfobre cheio de ouro do Brasil para resolver os gravíssimos e profundos problemas de Portugal?
...

E Salvo o Devido Respeito!



publicado por Sérgio Passos às 18:33
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